Memorial Kiss

O projeto procura explorar a emoção. Não a emoção como comoção, mas emoção como uma sensação física e psíquica. Rememoramos a morte, tão incompreensível quanto inexorável, que desperta medo e que é carregada de mistério, mas também celebramos a vida. A proposta representa a continuação da vida pela memória, em um circuito.


O terreno onde será implantado o Memorial deve conformar uma Praça pública, um local para apropriação coletiva e que seja palco de manifestações culturais diversas. O amplo programa de necessidades foi organizado em 4 diferentes níveis, como forma de resguardar a maior área possível para a praça e garantir a independência das atividades.


O espaço do Memorial está no nível mais baixo do terreno (140m). No nível mais alto (143m), localizam-se o Salão Multiuso e o Café que, em conjunto com as Salas Multiuso em um nível intermediário (146m) e o Auditório em um nível superior (149m), configuram um edifício em ‘L’, com fachadas ativas que garantem vitalidade ao espaço aberto. Essa composição dos volumes permite que a Praça funcione em diferentes superfícies, com espacialidades e ambiências diversas que

dinamizam e flexibilizam o espaço.


O acesso ao Memorial pelo passeio no nível 140m, é marcado pelo volume do Auditório que se desprende da lateral conformando uma Praça de chegada. O Memorial, um espaço fechado, com revestimento interno em tons escuros, traz painéis iluminados reverenciando as vítimas, em um ambiente silencioso em respeito ao luto. O som da água descendo pela parede que separa o Memorial da área externa procura causar um efeito relaxante, e marca essa transição. A saída,

ao final do percurso, torna-se clara pela luz do dia, servindo como uma referência a escapar do ambiente escuro anterior, como que abraçando o visitante e trazendo-lhe alento após a passagem pelo Memorial.


Ao sair do Memorial, criou-se um espaço de estar e meditação junto a uma Praça com características distintas da Praça principal, acessada por uma escada nos fundos do edifício. Essa Praça mais privativa está no nível 143m, que se conecta ao Café e ao Salão Multiuso, e distribui os fluxos para a Praça principal e para os demais pavimentos. Ao chegarem na Praça principal, os visitantes podem se reunir em convívio social em áreas completamente abertas e também em área

coberta sob o volume do Auditório, para se reencontrarem e se solidarizar em torno de áreas verdes e de estares. Neste espaço, podem contemplar o volume branco e etéreo do Auditório. Os volumes brancos do projeto erguem-se do chão para o alto, imponentes, abraçando a Praça que reunirá pessoas. Reunirá as pessoas livres. O branco representando a Vida, configurando a praça, ora aberta, ora coberta. A vida representada pelas luzes em louvor às vítimas e homenagem

aos feridos. A vida representada pela água em movimento na cascata e no espelho d`água, na vegetação da Praça.


Com o volume do Auditório em ângulo, cria-se um espaço coberto amplo e convidativo. Os dois acessos, para o Memorial e para a Praça, estão conectados também por uma escada que serve de espaço para encontros e estar, como continuação da Praça principal. O circuito acontece sempre circundando a Praça. Seus vários níveis se conectam e possibilitam a utilização de espaços com características diferentes, permitindo ao usuário experiências distintas. Ao mesmo tempo, garantem fácil entrada e saída de todos os ambientes, tornando o edifício seguro.


Foram consideradas as condicionantes naturais para garantir o conforto térmico, lumínico e acústico, explorando soluções passivas para iluminação e ventilação naturais, e também conforto acústico nos espaços privados. . O sistema de condicionamento de ar central, do tipo VAV (volume de ar variável), procura fornecer um sistema eficiente para o Auditório, o Salão Multiuso, o Memorial e as Salas Multiuso. O projeto explora o dualismo. Suas soluções funcionais, espaciais, plásticas e simbólicas buscam criar percepções distintas enquanto o espaço é experienciado: ora fechado, ora aberto; ora escuro, ora claro; ora pesado, ora leve; ora privado, ora público.


Equipe: Arq. Eduardo Lopes; Arq. Eduardo Berté; Arq. Gustavo Peters; Arq. Marcelo Galafassi; Arq. Karine Schaffer.

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